1.24.2008

Das batatas ao petróleo

Aaaargh. Eu ainda estou devendo a continuação da história do amor, mas não posso evitar: num momento de explosão criativa, acabei escrevendo o texto que posto aqui agora.

Promento que na próxima eu continuo.


"Das batatas ao petróleo"


Eu observo esses vídeos em que as pessoas arremessam tomates nos que estão se apresentando no palco e me dá vontade de... parabenizá-los por sua boa mira. Eu sou o tipo de pessoa que jamais conseguiria acertar uma verdura em alguém. Não só pela péssima mira, mas também por causa da consciência ecológica. Milhões de pessoas passando fome e tem gente que joga comida na cara dos outros...

Enfim, arremessar hortaliças é um ato de plena falta de responsabilidade social.

Australianos, por exemplo, devem arremessar muitas hortaliças.

Sei de australianos que deixam a colheita de um ano inteiro cair de um penhasco apenas para se deleitar observando os melões explodindo e as batatas rolando.

Por que batatas não explodem. Você pode arremessar uma batata com toda força numa parede e ela vai, no máximo, se achatar em um dos lados, mas nunca explodir.

Chato, não?

Não que eu goste de ver batatas explodindo, que fique bem claro.

Mas existia um povo da escandinávia que explodia batatas. Meu tio me contou. Eles cozinhavam elas primeiro. Daí colocavam nas catapultas e arremessavam. Foram os pioneiros a explodir batatas.

Não por coincidência, os primeiros registros do purê de batata são escandinavos.

A partir daí (foi aí por 460 d.C., perto da ascensão do império Bizantino) os escandinavos tornaram-se famosos por serem peritos em batatas. Sabiam de tudo, dissecavam batatas, plantavam batatas, explodiam mais batatas, fritavam batatas, arremessavam batatas em chamas por cima das muralhas inimigas e até recheavam batatas.

Num certo momento os escandinavos descobriram que uma das propriedades das batatas era a de sugar o sal contido nos alimentos. Verdade. Todos os pratos feitos com batatas devem levar uma porcentagem a mais de sal. Um rei escandinavo chegou a matar milhares de cozinheiros por não terem descoberto isso antes dos franceses.

Foi então que a glória escandinava começava a sua ruína. Os franceses simplesmente roubaram o monopólio da produção de batatas.

E a escandinávia sofreu uma profunda crise. Batatas escandinavas? Jesus me chicoteie, as francesas são mil vezes melhor, anunciavam os tablóides da época.

Então a escandinávia resolveu investir em outras leguminosas.

"Chuchu tem gosto de cubo de gelo", concluiram os pesquisadores escandinavos

Já os franceses, sempre um passo adiante, passaram a empregar o chuchu como pronome de tratamento (ó, vossa alteza, meu chuchuzinho), turbinando a produção de chuchus por causa do marketing.

"A cenoura é verde e ruim", diziam os mais sábios escandinavos.

E os franceses não tardaram a descobrir que a parte boa da cenoura ficava embaixo da terra.

O rei francês da época chegou a mandar um poema extremamente irônico tirando sarrinho da cara dos escandinavos por sua visível falta de massa encefálica:

"Batatinha quando nasce, espalha ramas pelo chão
Escandinavos imbecis, peguem no meu pirocão”

Obviamente o conteúdo do texto foi levemente alterado ao cair nas mãos dos monges dominicanos na Idade Média.

Perturbados pela falta de tato dos seus rivais franceses, os escandinavos decidiram então declarar guerra ao país.

Os franceses, cientes de sua superior tecnologia bélica, riram da cara dos pobres escandinavos e simplesmente aceitaram a guerra. Como se não bastasse, os publicitários franceses da época escreveram em seus blogs várias mentiras sobre os inimigos, a fim de sujar o nome deles.

Enquanto isso os demais territórios (Bretanha, Constantinopla, os árabes em Toledo) não davam muita importância para uma guerra que começou por causa de batatas: os habitantes desses países eram, em sua maioria, carnívoros e só se meteriam na briga por causa do gado.

O exército escandinavo marchou durante dias e noites até chegar no território francês.

Ou era lá que deveriam ter chegado. Infelizmente o encarregado de traçar mapas para a armada escandinava era o mesmo homem que anteriormente deixou vazar para os franceses a receita das famosas batatas-palha, ingrediente crucial para os cachorros-quentes da época.

Sim, o mercado produtor/consumidor de cachorro-quente era majoritariamente francês.

Ou seja, o cara que orientava as tropas era o burrão do reino, o otário-mor. Ninguem percebia isso por que o rapaz era o filho do rei e tinha privilégios.

Enfim, o exército escandinavo se perdeu e, por causa de um leve desvio na rota, acabou chegando num lugar chamado China.

Abismados com a estranha diferença do lugar que estavam a admirar em comparação com os relatos de como era a França ("os caras usavam bigodinho e falavam fazendo beiçinho"), os escandinavos demoraram duas semanas para perceber que, de fato, não estavam na França.

O imperador chinês da época (sim, a China já era um país unificado) foi correndo ver quem eram os honoráveis visitantes, afinal as unicas visitas que o país recebia eram aqueles bundões da Mongólia, que saqueavam suas terras e escutavam heavy metal a todo volume.

Infelizmente as tentativas de comunicação entre os dois povos falharam, pois se a língua escandinava ja era dificil para os próprios escandinavos, entender o que aqueles chineses resmungavam era impossível.

Frustrados por terem viajado tanto e não conseguirem entender o que seus novos amigos diziam, os escandinavos entraram uma crise depressiva tremenda. Choravam, se abraçavam, choravam mais ainda, comiam batata crua.

É claro que os chineses ficaram fascinados ao presenciar aquele espetáculo de baitolisse. Eles nunca tinham visto coisa parecida, nem quando os mongóis se depararam com a muralha recém construída e começaram a pixar o muro e gritar palavrões de raiva.

Comovidos, os chineses decidiram então adotar os escandinavos. Iriam ensiná-los a lingua chinesa, os costumes, kung-fu e a comer com pauzinhos.

E, mesmo sem entender o que seus novos irmãos falavam, os escandinavos deixaram-se serem adotados. "Qualquer coisa menos os franceses", era o lema deles.

E enquanto isso a Escandinávia era invadida pelos russos, que aproveitaram a tremenda cagada de seus vizinhos do norte.

E na Bretanha o povo comia carne e assistia Monthy Python.

Setenta anos depois, os escandinavos decidiram voltar para sua terra natal. O rei, agora comandando um exército muito maior e mais poderoso, abraçou o imperador da China, juntou as malas e partiu.

Contudo, ao chegar no lugar onde outrora viveram, os escandinavos se depararam com uma estranha placa de boas-vindas em Russo.

O russo-chefe que estava cuidando do lugar foi ver quem eram seus visitantes e quase se cagou ao se deparar com um exército enorme de loiros com olhinhos puxados.

Antes de ser visto, engatinhou de volta até o palácio e perguntou para seus conselheiros o que raios iriam fazer com aquele exército: era muito maior do que o russo.

Os conselheiros, notáveis por suas habilidades com xadrez e conhecimento sobre bebidas alcoólicas, não encontraram nenhuma solução senão telefonar para o rei da russia em si e reportar o que estava acontecendo.

Rushky Petrovna, o diplomata, ligou para o rei da russia. Abaixo, a conversa traduzida:

R.P.: "Aláii, reivóski! Estamóvski com problemóvskis."

Rei.: "Bucetóvski. O quevsks está acontecendóvski aí?"

R.P.: "Escandinavósvskis voltaram mais fórtefskis."

Rei.: "Caralhóvski. Matem todovskiskis!"


Claramente cagados, os russos tiveram que acatar as ordens do seu rei e marcharam contra o gigantesco exército escandinavo. Os escandinavos, vendo seus inimigos se aproximando com intenções homicidas, pegaram suas armas (as melhores da época) e marcharam também, sob o comando do rei (aquele idiota que errou o mapa).

A batalha foi rápida: os escandinavos perderam três quartos do exército e bateram em retirada.

Os russos comemoraram a surpreendente vitória bebendo uma mistura de gasolina com limão e açúcar, preparada pela dona da bodega local, a Senhora Vodka da Silva.

Enquanto isso os escandinavos corriam em direção as colinas.

E os franceses faziam novas descobertas em relação às hortaliças: a parte boa da melancia é a de dentro, vermelhinha.

Os escandinavos correram tanto que chegaram a um local completamente desconhecido. Era tudo areia, não tinha porra nenhuma lá. Olhavam pra direita: areia. Olhavam para a esquerda: areia. Olhavam pra frente: areia. Olhavam pra trás: mais areia, e mais pra trás ainda os russos comemoravam.

Sem ter o que fazer, o líder escandinavo (aquele bobalhão da batata palha) caminhou durante dias e noites até encontrar uma caverna. "Amigos", disse ele, "vocês cavem um buraco aí na areia enquanto eu durmo nesssa linda caverna que chamarei de 'bat'. Boa noite".

O líder tirou toda a roupa, pois gostava de dormir peladão, e deitou. Mas não conseguiu dormir por causa das pulgas do deserto, que depositavam-se nas suas axilas e iam entrando aos poucos na bunda.

Com raiva, começou a se coçar e a se rolar pelo chão rochoso até bater a cabeça.

E foi então que teve uma visão: um ser alado desceu do céu e conversou com ele:

Anjo: "Maomé, vou te contar um negócio."

Líder: "Meu nome não é Maomé."

Anjo: "Você precisa fundar uma religião."

Líder: "cmo fas"

Anjo: "Assim ó: o paraíso é tiop um lugar lindo com umas doze mulheres pra cada homem."

Líder: "Gostei, onde eu assino?"

Anjo: "Escreva o seu nome numa rocha. Lembre-se que seu nome é 'Maomé'."

E foi assim a evolução das batatas até o petróleo. Fim.

Desenho feito às pressas especialmente para a postagem dessa... coisa.

7 comentários:

Bianca Rie disse...

hauhauahuahuahaha

Adorei a história!!

Rx2M disse...

muito bom mesmo, Boli! ;D

mariana-chan disse...

Omg, um texto sobre batatas? Eu amo batata xD mas eu adorei, muito criativo você, como sempre xDD

Roane disse...

Vem cá, só uma dúvida...
como q voce coloca no seu orkut pra só te add com scrap, e limita os scraps só pros seus amigos?
duh!

eu ti vi no charges.com @.@
fikei com dó :/

Eduardo disse...

Hosana

Roberta-sama disse...

Vem cá, só uma dúvida...
como q voce coloca no seu orkut pra só te add com scrap, e limita os scraps só pros seus amigos?
duh! [2]

O poema original era mais legal do que a versão dos monges dominicanos :P

guilherme disse...

Aeeee, já tenho uma fonte rpa tese de doutorado agora xD