4.26.2008

Ilusão de Fregoli

Há, lembram da enquete pedindo o estilo musical que deveria ser tocado aqui neste humilde blog? Pois é, meu gênero favorito ganhou: METAL!

Contudo, resolví simplesmente ignorar o resultado da enquete e claramente colocar uma música que minha colega Nayara me passou. Acho que ela combina com o estilo do meu blog.

Ouçam e deêm sugestões. Dependendo do IBOPE eu troco num futuro próximo.

Ah, pra esse post não ficar sem graça, eis aqui uma crônica escrita por mim num tempo remoto:

A Grande Pescaria de Roy e Sebastião

Parte 1

Roy trabalhava sempre até tarde como balconista de uma fábrica especializada em vender parafusos. Ele tinha um carisma inigualável para com os clientes da loja, e isso rendia muitos lucros para a empresa. Quando chegava em casa, depois de comer o delicioso jantar preparado pela sua esposa Lucy, Roy dedicava um tempo ao seu hábito diário de ler o jornal.

No final de uma terça-feira normal como todas as outras terças-feiras, Roy foi se sentar em sua poltrona para a costumeira leitura, quando algo totalmente estranho aconteceu: o telefone tocou. Roy atendeu, e quase teve um choque, pois quem falava do outro lado da linha era o seu velho amigo Sebastião, que havia se mudado há três anos para o norte. Após um tempo se perguntando como havia passado, como estava a família e como andava aquele calo no pé esquerdo, Sebastião decidiu contar por que ligara a Roy: estava convidando-o para uma pescaria.

Roy não entendeu de início. Os dois nunca haviam saído para pescar antes, aliás, Roy nunca havia sequer pescado antes, mas Sebastião tinha um bom motivo. Ele lera em um livro uma lenda sobre um enorme peixe-alfajor, localizado apenas nos lagos do norte. Segundo essa lenda, aquele que conseguir pescar o peixe poderá pedir dois desejos, e terá os dois atendidos pelo incrível peixe-alfajor. E como se a história não estivesse ridícula o suficiente, após fazer os pedidos o peixe contaria a localização secreta de um tesouro enterrado no arquipélago de Boruba.

Sem querer ouvir mais daquela lorota toda, Roy prontamente aceitou. Viu que se pescasse o peixe, poderia ter todos os problemas da sua vida resolvidos. Seria muito perfeito e simples. Simples porque era apenas um peixe – não havia perigo nenhum em uma mundana pescaria.
Sebastião, ao ouvir aquilo, disse que passaria com sua Saveiro na casa de Roy no sábado, e, portanto, era pra ele estar preparado. Os dois iriam passar o fim de semana atrás do incrível peixe-alfajor em uma tranqüila e inofensiva pescaria. Sebastião ainda disse para Roy não contar a ninguém que se tratava do peixe-alfajor. “Diga apenas que vai a uma pescaria comigo, para pescar peixes normais e que não realizam nenhum desejo, OK?”.

Era ainda quarta-feira e Roy já estava muito ansioso. Mal podia esperar para ter todos os seus problemas resolvidos com a ajuda do peixe-alfajor. Ele passava o trabalho inteiro com a cabeça nas nuvens, e os clientes começaram a sair da loja insatisfeitos. Roy não pensava em outra coisa senão na imagem dele e de seu amigo Sebastião puxando para fora d’água o magnífico peixe-alfajor, mesmo levando em consideração que ele não fazia idéia do aspecto de um peixe-alfajor.

Sua mulher Lucy já andava preocupada com o marido, que andava pela casa coçando a cabeça, chutando os objetos que encontrava pelo caminho e deixando para trás um rastro de unhas roídas. “Ah, não é nada, querida”, ele dizia, “é que eu vou pescar esse fim de semana, mas não se preocupe, só vou pescar peixes normais que não realizam nenhum desejo, OK?”.

Finalmente chegou o dia. As sete e meia da manhã de sábado Sebastião apareceu com sua Saveiro na casa de Roy. Este já estava de pé desde as cinco horas, se aprontando com os equipamentos de pesca. Quando ele entrou na caminhonete, Sebastião gritou lá de dentro um “oi” para Lucy, logo seguido de um “não se preocupe, nós só vamos pescar peixes normais que não realizam nenhum desejo, OK?”. E foram. Partiram para a incrível jornada. E passaram a viagem inteira rindo, cada um pensando no que iriam pedir e no suposto aspecto do peixe-alfajor.

Parte 2

Exatamente ao meio-dia eles chegaram ao lago marcado para a pescaria. Ainda rindo, retiraram todos os equipamentos (isso inclui vara de pesca, cadeirinha, caixa de cerveja e radinho à pilha) da parte traseira da Saveiro e se organizaram na beira do lago. Mais ninguém estava lá. Apenas os dois, o dia ensolarado, os passarinhos piando e no fundo do lago o peixe-alfajor. A situação não poderia estar melhor.

Ainda rindo, os dois colocaram as iscas nas varas de pesca e atiraram-nas no lago, sintonizaram o radinho, abriram a cerveja e ficaram lá esperando e dando gargalhadas. Todos os problemas resolvidos. Um tesouro em Boruba. Era tudo bom demais.

Já eram quatro horas da tarde e os dois ainda não haviam pescado absolutamente nada. Mas mesmo assim eles não desanimavam. A Simples visão do onipotente peixe-alfajor saindo do lago animava cada vez mais os dois. Às cinco e meia da tarde o radinho já estava sem pilha e eles ainda não haviam pescado nada. Todas as latas de cerveja haviam sido esvaziadas, junto com as esperanças.

Roy já estava muito desanimado. A imagem do colossal peixe-alfajor já havia saído da sua cabeça. O pensamento dos problemas resolvidos também. O tesouro em Boruba também. Mas eles não desistiam. Nunca iriam desistir. Uma vida perfeita os aguardava, e era tudo uma questão de tempo e paciência.

Exatamente às nove horas da noite, Sebastião se cansou. Havia passado o dia inteiro segurando uma vara de pesca e nada do maldito peixe-alfajor aparecer. No exato momento que ele ia largar a vara, sentiu um puxão. Não um simples puxão, mas um puxão que ele aguardara o dia inteiro. Já se mijando nas calças, Sebastião gritou de alegria e fúria enquanto puxava a vara com toda a força. Roy, que de repente se deu conta do que estava acontecendo, rapidamente largou a sua vara e foi ajudar seu amigo. Os dois puxavam com toda a força, e cada vez mais tinham certeza que haviam fisgado o maravilhoso peixe-alfajor, pois a força que vinha do outro lado era fora do normal.

Foi tudo muito rápido. Antes que pudessem perceber qualquer coisa, a criatura que estava presa na vara de pesca deu um puxão com tamanha velocidade que instantaneamente arrastou para o fundo do lago os corpos já desprovidos de alma de Roy e Sebastião.

Parte 3

Era meia-noite, e Lucy estava atirada na poltrona, enxugando as lágrimas com o avental e pensando em seu marido Roy se refestelando com outra na cama.

5 comentários:

Renato Ribeiro Miranda disse...

Sacanagem.

Roberta-sama disse...

putz, adorei a nova trilha sonora *-*

Anônimo disse...

Eu não posso ouvir a música...




É a Bia ~.~'

Luiz Nihil disse...

Coitados.

Marcola disse...

Uma vez eu comi uma melância.

e dai?

XD

boa a musica boleto, flwss