Parte 3
Venceslau sentiu que algo cheirava mal - e não eram suas meias. Ninguém, em sã consciência, a bordo de um navio abordado, gritaria em alto e bom tom que seu navio estava abarrotado de coisas legais. Algo sinistro e nefasto pairava sobre aquele lugar e isso fez com que Venceslau permanecesse parado ao invés de pular no outro navio junto com o resto da tripulação - sim, todos saltaram para o outro lado.
Na cabeça de Jimmy, aquela abordagem seria um sucesso completo: eles estavam em superioridade numérica, estavam sedentos de sangue e tinham pólvora suficiente para fazer chover meteoros. Nada poderia dar errado.
E eles berravam palavrões enquanto aterrisavam no convés do navio atacado. Por mais que não houvesse ninguém visível lá, eles atiravam e golpeavam o ar com a espada, para meter medo em quem estivesse assistindo ou para se acharem os bons, os cruéis, os VAGABUNDOS.
E eis que então Jimmy decidiu olhar para seu naviu e lá avistou, estático, como um poste, Venceslau.
- O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ, BOIOLA? NÃO VAI AJUDAR NO SAQUE?
- Ehr... capitão... eu acho que isso é uma...
- CILADA!! - gritou imediatamente um dos piratas do bando que estava no outro navio: a embarcação estava claramente afundando.
Desesperados, os cães do inferno começaram a correr de volta para o navio de sua origem - apesar de alguns continuarem a rodar o outro em busca das mulheres. Contudo, o navio de Jimmy começou a se mover lentamente para o lado, impedindo a volta deles. Venceslau virou a cabeça para ver o que diabos estava acontecendo e se deparou com uma multidão de homens saindo da água, embarcando pelo outro lado e movendo o timão.
- VENCESLAAAAAAAAU! - Gritou Jimmy, enfurecido - ATAQUE ESSES IMBECIS! TRAGA O NAVIO DE VOLTA!
O outro barco afundava rapidamente e alguns piratas já estavam na água. Venceslau virou-se para os estranhos que agora ocupavam o navio e concluiu: eram muitos para que ele pudesse fazer alguma coisa.
Apesar do medo, em sua cabeça ecoavam os gritos e palavrões dos seus companheiros e ele não poderia ficar parado. Os estranhos usavam turbante, roupas vermelhas e tinham cimitarras amarradas à cintura: tal e qual ilustrações dos livros, tratavam-se de piratas Turcos.
Venceslau lera muitas histórias sobre os turcos: rezam as mais famosas lendas que eles guardam ouro embaixo do travesseiro, comem raízes e gostam de jogar peteca. Ele lembrou de uma poesia turca que tinha lido certa vez antes de dormir:
- Korkma, sönmez bu şafaklarda yüzen al sancak;
- Sönmeden yurdumun üstünde tüten en son ocak.
- O benim milletimin yıldızıdır parlayacak;
- O benimdir, o benim milletimindir ancak.
- Çatma, kurban olayım çehreni ey nazlı hilal!
- Kahraman ırkıma bir gül! ne bu şiddet bu celal?
- Sana olmaz dökülen kanlarımız sonra helal,
- Hakkıdır, Hak'ka tapan, milletimin istiklal!
- Ben ezelden beridir hür yaşadım, hür yaşarım.
- Hangi çılgın bana zincir vuracakmış? Şaşarım;
- Kükremiş sel gibiyim, bendimi çiğner aşarım;
- Yırtarım dağları, enginlere sığmam, taşarım.
Outras informações sobre esses tipos é que eles eram bons navegadores e gostavam de ter mais de uma esposa - fatores paradoxalmente ligados à decisão de viver no mar, mas Venceslau não se posiconou como psicanalista para comentar sobre tal.
Vendo que o tempo corria, o pirata sacou sua espada e começou a correr em direção ao turco que estava controlando o timão. Ao tomar tal decisão, ouviu os aplausos de seus amigos, qeu cada vez ficavam mais longe. Venceslau correu por todo convés desviando dos estranhos que riam e ajustavam os cordames. Percebeu que um deles tinha tênis da Adidas e outro ouvia Kiss em seus fones de ouvido à todo volume. "O saque anterior deve ter sido bom", concluiu Venceslau.
Ao finalmente chegar ao timão, viu que o turco que o controlava estava sendo protegido por dois guardas. O da esquerda perguntou:
- Quem é você, negri?
- Meu nome é Venceslau e eu vou matar vocês se não devolverem o navio!
- Hihihihi.
Os dois guardas começaram a caminhar em direçaõ ao pirata. Venceslau agitou a espada, tentando atingir o abdômen do da esquerda, mas foi bloqueado e arremessado escadaria abaixo. Com a testa doendo, viu seus amigos sumindo ao horizonte em meio às carcaças do outro navio...
Continua.
Sexta-feira. Eu e Nelson fomos assistir ao último debate do Purungo, um evento de design que estava acontecendo na Reitoria, à 5 quadras da nossa casa. No final, por volta as 21 horas, começou a chover. Forte. O vento vinha e arrastava as cadeiras de plástico. Como tudo acontecia embaixo de uma grande tenda, o caos e o pânico se espalharam com facilidade.
- Nelson, vamos ter que voltar correndo pra casa.
- Tá loco?
- É sério. Achoq ue a janela do quarto ficou aberta.
A chuva não dava sinais de que iria parar tão cedo. De fato, após mais uma rajada de vento que levantou as paredes da lona, decidimos sair correndo. Durante o percurso, a chuva caía realmente muito forte, o vento soprava contra nós e raios caiam muito seguidamente.
- BOLI - berrou Nelson enquanto corríamos - VAMOS INDO PELO MEIO DA RUA, JÁ QUE NOS DOIS LADOS DELA TÊM ÁRVORES E ELAS ATRAEM RAIOS!
- TÁ BOM!!
A corrida seguiu por cerca de cinco minutos. Estávamos ensopados, mas íamos pelo meio da rua. E foi então que me veio uma luz:
- NELSON!
- O QUÊ?
- TU SABIA QUE, QUANDO UM RAIO ATINGE UM LOCAL, TUDO QUE ESTÁ EM VOLTA, NUM RAIO DE 100 METROS, TAMBÉM É ATINGIDO?
- CLARO QUE NÃO!
E Nelson começou a saltitar enquanto corria. Chegando no quarto, a janela estava de fato aberta. Mas foi fácil nadar até ela para fechá-la.
3 opiniões sobre essa pouca-vergonha:
Quero mais uma parte da saga do Venceslau!!!
E vc nunca me disse que conseguia nadar no terceiro andar de uma casa Capitão!
Eu também quero mais uma parte da saga, fiquei curiosa agora xDD E eu não sabia dessa história de raio de 100 metros! =O
huahsuahuhuahe
ri muito tentando imaginar os 2 correndo xDDDDD
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