10.27.2008

"É impressão minha ou um dos nossos desceu junto com a âncora?"

A saga de Venceslau - o pirata que nasceu sem perna

Parte 3

Venceslau sentiu que algo cheirava mal - e não eram suas meias. Ninguém, em sã consciência, a bordo de um navio abordado, gritaria em alto e bom tom que seu navio estava abarrotado de coisas legais. Algo sinistro e nefasto pairava sobre aquele lugar e isso fez com que Venceslau permanecesse parado ao invés de pular no outro navio junto com o resto da tripulação - sim, todos saltaram para o outro lado.

Na cabeça de Jimmy, aquela abordagem seria um sucesso completo: eles estavam em superioridade numérica, estavam sedentos de sangue e tinham pólvora suficiente para fazer chover meteoros. Nada poderia dar errado.

E eles berravam palavrões enquanto aterrisavam no convés do navio atacado. Por mais que não houvesse ninguém visível lá, eles atiravam e golpeavam o ar com a espada, para meter medo em quem estivesse assistindo ou para se acharem os bons, os cruéis, os VAGABUNDOS.

E eis que então Jimmy decidiu olhar para seu naviu e lá avistou, estático, como um poste, Venceslau.

- O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ, BOIOLA? NÃO VAI AJUDAR NO SAQUE?
- Ehr... capitão... eu acho que isso é uma...
- CILADA!! - gritou imediatamente um dos piratas do bando que estava no outro navio: a embarcação estava claramente afundando.

Desesperados, os cães do inferno começaram a correr de volta para o navio de sua origem - apesar de alguns continuarem a rodar o outro em busca das mulheres. Contudo, o navio de Jimmy começou a se mover lentamente para o lado, impedindo a volta deles. Venceslau virou a cabeça para ver o que diabos estava acontecendo e se deparou com uma multidão de homens saindo da água, embarcando pelo outro lado e movendo o timão.

- VENCESLAAAAAAAAU! - Gritou Jimmy, enfurecido - ATAQUE ESSES IMBECIS! TRAGA O NAVIO DE VOLTA!

O outro barco afundava rapidamente e alguns piratas já estavam na água. Venceslau virou-se para os estranhos que agora ocupavam o navio e concluiu: eram muitos para que ele pudesse fazer alguma coisa.

Apesar do medo, em sua cabeça ecoavam os gritos e palavrões dos seus companheiros e ele não poderia ficar parado. Os estranhos usavam turbante, roupas vermelhas e tinham cimitarras amarradas à cintura: tal e qual ilustrações dos livros, tratavam-se de piratas Turcos.

Venceslau lera muitas histórias sobre os turcos: rezam as mais famosas lendas que eles guardam ouro embaixo do travesseiro, comem raízes e gostam de jogar peteca. Ele lembrou de uma poesia turca que tinha lido certa vez antes de dormir:

Korkma, sönmez bu şafaklarda yüzen al sancak;
Sönmeden yurdumun üstünde tüten en son ocak.
O benim milletimin yıldızıdır parlayacak;
O benimdir, o benim milletimindir ancak.
Çatma, kurban olayım çehreni ey nazlı hilal!
Kahraman ırkıma bir gül! ne bu şiddet bu celal?
Sana olmaz dökülen kanlarımız sonra helal,
Hakkıdır, Hak'ka tapan, milletimin istiklal!
Ben ezelden beridir hür yaşadım, hür yaşarım.
Hangi çılgın bana zincir vuracakmış? Şaşarım;
Kükremiş sel gibiyim, bendimi çiğner aşarım;
Yırtarım dağları, enginlere sığmam, taşarım.

Outras informações sobre esses tipos é que eles eram bons navegadores e gostavam de ter mais de uma esposa - fatores paradoxalmente ligados à decisão de viver no mar, mas Venceslau não se posiconou como psicanalista para comentar sobre tal.

Vendo que o tempo corria, o pirata sacou sua espada e começou a correr em direção ao turco que estava controlando o timão. Ao tomar tal decisão, ouviu os aplausos de seus amigos, qeu cada vez ficavam mais longe. Venceslau correu por todo convés desviando dos estranhos que riam e ajustavam os cordames. Percebeu que um deles tinha tênis da Adidas e outro ouvia Kiss em seus fones de ouvido à todo volume. "O saque anterior deve ter sido bom", concluiu Venceslau.

Ao finalmente chegar ao timão, viu que o turco que o controlava estava sendo protegido por dois guardas. O da esquerda perguntou:

- Quem é você, negri?
- Meu nome é Venceslau e eu vou matar vocês se não devolverem o navio!
- Hihihihi.

Os dois guardas começaram a caminhar em direçaõ ao pirata. Venceslau agitou a espada, tentando atingir o abdômen do da esquerda, mas foi bloqueado e arremessado escadaria abaixo. Com a testa doendo, viu seus amigos sumindo ao horizonte em meio às carcaças do outro navio...

Continua.

Sexta-feira. Eu e Nelson fomos assistir ao último debate do Purungo, um evento de design que estava acontecendo na Reitoria, à 5 quadras da nossa casa. No final, por volta as 21 horas, começou a chover. Forte. O vento vinha e arrastava as cadeiras de plástico. Como tudo acontecia embaixo de uma grande tenda, o caos e o pânico se espalharam com facilidade.
- Nelson, vamos ter que voltar correndo pra casa.
- Tá loco?
- É sério. Achoq ue a janela do quarto ficou aberta.

A chuva não dava sinais de que iria parar tão cedo. De fato, após mais uma rajada de vento que levantou as paredes da lona, decidimos sair correndo. Durante o percurso, a chuva caía realmente muito forte, o vento soprava contra nós e raios caiam muito seguidamente.

- BOLI
- berrou Nelson enquanto corríamos - VAMOS INDO PELO MEIO DA RUA, JÁ QUE NOS DOIS LADOS DELA TÊM ÁRVORES E ELAS ATRAEM RAIOS!
- TÁ BOM!!

A corrida seguiu por cerca de cinco minutos. Estávamos ensopados, mas íamos pelo meio da rua. E foi então que me veio uma luz:
- NELSON!
- O QUÊ?
- TU SABIA QUE, QUANDO UM RAIO ATINGE UM LOCAL, TUDO QUE ESTÁ EM VOLTA, NUM RAIO DE 100 METROS, TAMBÉM É ATINGIDO?
- CLARO QUE NÃO!

E Nelson começou a saltitar enquanto corria. Chegando no quarto, a janela estava de fato aberta. Mas foi fácil nadar até ela para fechá-la.

3 comentários:

Ursu disse...

Quero mais uma parte da saga do Venceslau!!!

E vc nunca me disse que conseguia nadar no terceiro andar de uma casa Capitão!

Mariana disse...

Eu também quero mais uma parte da saga, fiquei curiosa agora xDD E eu não sabia dessa história de raio de 100 metros! =O

Anônimo disse...

huahsuahuhuahe
ri muito tentando imaginar os 2 correndo xDDDDD