10.01.2008

"O capitão foi dar uma cagada, deixa que eu recebo a carta por ele".

Mas que barbarismo. Ultimamente tenho percebido que os pequenos diálogos mundanos postados em azul no final de cada texto são mais comentados e recebem mais importância. Manda o protocolo que esses pequenos colóquios não recebam tanta importância, mas pelo visto meus leitores não dão bola a qualquer regra de etiqueta.

Por isso, esse será um post-teste. Escreverei uma de minhas histórias imbecis e também mais um pequeno diálogo baseado em fatos reais no final - igualmente grotesco. Verei então qual será o assunto mais comentado e pensarei no caso vestindo um roupão de banho e fumando um dos meus charutos cubanos.

A saga de Venceslau - o pirata que não tinha perna.
(adaptado do original "That fuckin' parrot got me eye")

Parte 1

As gaivotas têm o maldito hábito de defecar exatamente em cima do convés - e geralmente nas tábuas mais próximas da podridão completa. Com tanta água ao redor, elas insistem em sobrevoar o navio e fazem questão de deixar suas marcas. Como se fosse um hobby. Enquanto investia com o esfrgão contra os cocozudos, Venceslau, o piarat que não tinha perna, imaginava nitidamente a face de prazer das gaivotas no momento em que elas largavam a encomenda pensando no próximo otário que teria que perder uma tarde limpando tudo.

Porém, Venceslau orgulhava-se em fazer parte da grande tripulação do velho Jimmy "sem-escrúpulos" Wilsom. Estava naquele navio imundo desde que começou a andar - com grande dificuldade, pois nasceu sem a perna esquerda. Tristeza para uns, motivo de convicção para outros: a ausência da perna logo fez Venceslau talhar uma em mogno e isso fazia-o se sentir com vocação para a pirataria clássica.

Com dezenove anos, levantou âncora e entrou para a tripulação de Jimmy:

- Qual seu nome, rapaz?
- Venceslau.
- Venceslau de quê?

Venceslau hesitou. Um flashback repentino da sua mãe o sovando com a tábua de cortar peixe após ele ter feito a mesma pergunta invadiu sua mente e ele teve medo de responder. "Venceslau de quê"? Supostamente, todo jovem sabe o próprio sobrenome quando chega aos dezenove anos. Venceslau olhou rapidamente para sua direita, procurando algo que pudesse o inspirar, e então voltou os olhos para os do capitão, cinzentos e cruéis, e exclamou:

- Venceslau Montilla!
- Há! Gostei, seu pequeno verme! Seu bosta! Não posso deixar você trabalhando com artilharia pesada como o velho Graham aqui... - o capitão pausou sua fala para socar o ombro de um marujo que tinha uma flecha cravada na testa e sorria com apenas metade da boca - ... por que você não tem tanta experiência quanto ele, por isso vai passar uns meses levando o convés e cortando minhas unhas. Aceita?
- Sim!
- Repita, fedelho, e esfregarei minha piroca em você!
- Hã, digo... AYE, SIR!

Passados alguns dias, Venceslau já tinha feito amigos entre os membros da tripulação e lago aprendeu a manusear o sabre e a descascar batatas sem perder muito da parte comestível do tubérculo. Tudo correu calmamente até o dia em que os piratas decidiram fazer a primeira abordagem...

Continua.

Tarde (quase noite) chuvosa.
Eu voltava do R.U. após mais uma janta completa a base de feijão, arroz, salada e aquilo que eles chamam de carne ao molho. Eis que na entrada da Casa do Estudante estavam Nelson e Miquéias - meus colegas de quarto, saindo.
Miquéias: Ae bole! Vamos jantar?
Eu: Cara, tô voltando do R.U. agora. Já jantei.
Após uma breve conversa cujo teor eu não lembro, nosso debate parece ter atingido um nível diferenciado: Nelson já estava levando minha mochila para dentro da recepção, a fim de guardá-la, e eu já me via convidado a jantar novamente (!). Chovia forte, ninguém em sã consciência voltaria para a chuva após atingir o aconchego (risos) do lar.
Eu: Meu Deus, olha isso. Por que estou saindo de novo? Eu já jantei!
Miquéias: É que a gente vai no mercado depois... tenha dó de mim, eu ia no mercado sozinho com o Nelson!
Nelson: É, e a gente vai no "xizão de um e setenta". Daí tu pede um também!
Eu: Mas eu já jantei! Comprem um doce pra mim então.
Miquéias: Beleza, e depois a ente vai no mercado. Preciso comprar shampoo e creme dental.
Eu: E papel higiênico.
"Xizão de um e setenta" é uma expressão quaso onomatopaica que se refere ao lugar que nós costumamos lanchar - eles fazem um xis-salada que custa míseros um-e-setenta (e, na minha opinião, deixa o McLanche Feliz no chinelo). Terminada a janta, nós três nos locomovemos ao mercado para fazer umas compras. Saindo do caixa, Nelson nos pediu para esperar e correu de volta para dentro do mercado. Alguns minutos depois, do nada, ele surge, passa diréto por mim e por Miquéias e se adianta no caminho de volta. Contudo, ao tentar subir um degrau, Nelson escorrega e quase cai.
Eu: Huhauhahauahuahau!
Miquéias: Olha só! Olha só!
Nelson: hihihi...
Eu (carregando uma sacola de compras numa mão e o guarda-chuva na outra): Viu só? Viu só? Quiz dar uma de bonitão, saindo de fininho, em silêncio, para voltar depois no modo "furtivo" e passar por nós despercebido, plagiando uma cena clássica do cinema...
Miquéias: UHAUAHAUAHAUHAUAH
Eu: Nelson, eu queria ter uma mão livre agora para segurar o meu saco enquanto eu digo isso, mas tu SE FUDEU nessa!
E eis que o inesperado acontece: Nelson vira-se rapidamente e golpeia Miquéias no peito com sua sacola, gritando "FUSCA AZUUUUL". A sacola se abre, as latas de Neston e de Nescau (coincidentemente, os dois itens mais questionados da nossa lista de compras) voam para o meio da rua e caem numa poça d'água. A lata de Neston, como se ao som de uma melodia clássica, rola até a sargeta.




5 comentários:

Bianca Rie disse...

Um e setenta??

Caramba, aqui é 4 e pouco...Vou me mudar de cidade :P

Assuntos mais comentados:
Xizão de um e setenta - 1

Saaah disse...

ah! trocou a música x.x


imaginação fertil xD

Anônimo disse...

nooooooooossa fusca azullllllll???????

deia disse...

huahuahuahua eu nao consigo parara de rir com a historia do supermercado euhehuhhehuee

júlia disse...

se o xizão de um e setenta é tão bom, porque não come lá em vez de ir no R.U.? o R.U. não é mais caro? o meu é 4 e pouco sem bebida, mimimi. mas dizem ser bom pelo menos, não sei, acho que irei lá amanhã.

KDFJGKDLSJKDFSHG não entendi a moral do fusca azul mas a parte do neston foi comovente.

ps: existe xis doce?