12.06.2008

"Hoje o almoço será... peixe!"

A saga de Venceslau - o pirata que nasceu sem perna

Parte 4

Três anos passaram-se desde a tragédia. Venceslau tinha feito algumas amizades na nova tripulação, apesar da saudade dos velhos cães sarnentos e do capitão. Ainda guardava algum rancor por causa do acontecido, mas omitia-o toda vez que via a reluzente cimitarra do capitão presa a sua cintura.

Esse novo capitão chamava-se Hadji Muhammad e tinha 38 anos. Era considerado um prodígio entre os piratas da tripulação por ter começado a carreira de pirata muito cedo e logo ter atingido postos altos dentro dos navios. Das poucas vezes que Venceslau lhe dirigiu a palavra, conseguiu obter algumas poucas informações sobre a figura: gostava de desenhar mapas, tinha um calo no dedão direito, gostava de depilar as coxas e não suportava o som de flauta.

Os demais piratas turcos demonstravam uma caracterísica em comum: dentes de ouro. Venceslau ficava admirado com a quantidade de dentes de ouro que os caras possuiam, mas nunca atreveu-se a perguntar o por que. Várias noites sonhou que arrancava alguns e trocava por  uma prancha de surf customizada.

Numa bela manhã ensolarada, os piratas turcos avistaram uma ilhota tropical. Exclamaram coisas como "caralho! Uma ilha!" e decidiram atracar.

Já em terra firme, o capitão fez uma vistoria na tripulação, selecionando uma equipe para explorar a floresta enviou três homens para o leste e um (Venceslau), apenas para se divertir, para o oeste.

A INCRÍVEL ODISSÉIA DE VENCESLAU NA ILHA 

Venceslau estava nu. Nu e nadando num mar de mel maravilhoso. Sentia o líquido tangenciar seu corpo ao som de Boleros de Ravel. Até que acordou...

... acordou e viu que estava num caldeirão, fervendo, com uma tribo de indígenas dançando ao redor.

- Mas que diabos? Onde estou? - perguntou o pirata, parcialmente puto. Olhando em volta, viu que sua bolsa de apetrechos estava jogada num canto e que pelo menos ainda estava vestindo sua cueca da sorte de coraçõezinhos.

Um dos selvagens se aproximou para jogar um pouco de cebola picada no caldeirão e Venceslau viu que haviam lágrimas em seus olhos por causa do processo de retalhação do legume. Comovido, o pirata resolveu perguntar:

- Meu amigo, por que está chorando? A vida é bela. Temos que nos unir e cada um se ajudar para que possamos alcançar a felicidade suprema...

Os selvagens imediatamente pararam de dançar e passaram a prestar atenção no que o imbecil que estava no caldeirão dizia. O barulho cessou, tudo ficou em silêncio, até os macacos que pulavam junto observavam atentamente a cena:

- ... que é o amor. Aconteceu algo contigo, horse? Tomou um fora da namorada? Arrombaram seu foréba? Pode se abrir pra mim, velho. Posso estar dentro dum caldeirão só de cuecas e quase no ponto, mas eu sei que posso ajudar.

Espantado, o selvagem se afastou e foi falar com o cara que parecia ser o chefe da tribo, pois usava um cocar com mais penas que os outros. (descrição do cocar: saida do alto da cabeça, descia pelas costas e entrava no ânus). 

Passados alguns momentos de suspense, nos quais a perna de Venceslau estavam começando a adquirir a maciez da carne cozida, o chefe da tribo veio falar com o pirata:

- Homem-andorinha falar bonito mas ser néscio e mentecpato. Chefe Konga Damironga querer saber de onde veio e quais suas intenções. Chefe também se desculpar por seu português não abranger uma franja paradigmática suficiente ampla para saber conjugar verbos.

O pirata pensou no que dizer por um momento e logo bolou um plano que a maioria dos aventureiros de primeira viagem bolaria em sua situação:

- Eu sou Deus. É isso, sou Deus, sou 
QUENTE, sou, simplesmente... bom.

O chefe coçou o saco e apontou para uma criança da tribo que observava os dois:

- Pequeno-Sodomizador diz encontrar seu corpo deitado na praia e diz que pensar que você ser um porco do mato. Em quem chefe acreditar?

- CARA eu to falando a verdade. Pode acreditar em mim, sou lesk parceiro e fecho junto.

Murmúrios e discussões iniciaram entre os indígenas. Konga, vendo que uma confusão poderia começar, tal e qual a ultima vez em que copularam com sua filha, agitou o cajado e fez todo mundo ficar em silêncio.

- Homem-andorinha falar bonito mas não deixar de ser um estrangeiro filho da puta. Pequeno-Sodomizador merecer mais credibilidade e ser filho de uma mulher bonita da tribo. Chefe já sabe como resolver isso:

"Vamos montar a arena especial. Homem-andorinha e Pequeno-Sodomizador lutar para decidir de quem ser a verdade. Perdedor ir para o caldeirão e não reclamar"


Obedecendo á um aceno da mão do velho, dois índios chutaram o caldeirão, esparramando todo o líquido e todo o Venceslau de dentro dele. Uma bela jovem com olhos cor de mel e cabelo da cor da asa da graúna se aproximou do pirata e deu a ele um bilhete. 

Pensando ser um recado de amor, Venceslau nem ao menos se levantou do chão, que tinha virado um pântando quente, e começou a ler o papel, que por sinal tinha uma mensagem escrita com uma letra horrenda:

"Homem do cabelo de puto, eu amar você e querer ajudar você. Eu deixar você ver minha teta direita na webcam, por que a esquerda ser cheia de estria. Voce ir até minha cabana e pegar a espada que pertenceu ao meu pai, o grande Pentelhos-de-cabrita. Ir e pegar na espada do meu pai você deve."

Venceslau olhou para o broto e viu que ela apontava para uma cabana triangular. Nem pensou duas vezes: correu como uma égua xucra em direção ao local. Entrando lá, viu cravada numa pedra uma bela espada dourada que tinha escrita na lâmina o nome "Excalibur". Puxando forte, retirou o artefato e correu pra fora da cabana. Sentiu que agora estava pronto para a batalha.

Continua...

Música triste para acompanhar essa história...

Ah, desculpem o tempo sem postagens. Estava lutando para me manter vivo e, ao mesmo tempo, com notas aceitáveis na faculdade.

3 comentários:

Saaah disse...

demorou tanto pra continuar a saga que esqueci do que tratava-se =/

Mariana-chan disse...

Ahhhh tomara que o Venceslau ganhe, coitado, aquele turco ferrou com ele rsrs QUero que o venceslau mate o capitão e assuma o posto dele \o/

Phillip disse...

Venceslau vai perder essa luta!

Ta na cara... Como ele, com sua perna de madeira com a maciez da carne, poderia vencer um pequeno e delicado indio sodomizador?

Ou ele vai vencer o indio, roubar o cocar do cacique e fazer uma tripulação pirata de indios!!!

Vai resgatar os antigos companheiros, que por sorte vão estar no mesmo local, vender alguns indios como escravos e comprar a prancha de surf personalizada com turbo e metralhadoras!

Depois vai acordar e perceber que foi nocauteado pelo pequeno sodomizador e já estava sendo comido!