1.18.2009

"Eu gostaria que houvesse tanta comida quanto piratas nesse navio"

A Saga de Venceslau - O Pirata nasceu sem Perna

Parte 5

Ao sair da cabana, Venceslau pensou estar em outro lugar: no local onde antes havia o caldeirão, agora estava montado um ringue de luta livre com platéia, gongo, mulheres de biquíni e uma miniatura da estátua da liberdade em gesso e detalhes de prata que andava e falava francês (sem sotaque).

Interrompemos sua empolgante aventura para informar que nenhuma criança, animal ou artefato mágico foi ferido realmente durante as gravações das cenas a seguir. A reprodução não autorizada delas é ilegal.

Os índios, reunidos ao redor da arena, berravam e agitavam bandeiras como uma torcida organizada em fúria. Várias vozes se ouviam:

- Apostas! Fazer suas apostas aqui!
- Cachorro quente! Eu vender cachorro quente!
- Aqui, comprar assinatura de cartão de crédito você dever! Pagar em prestações sem juros e ganhar bônus! Não ser mentira como em São Paulo ou outras cidades do Brasil!
- Eu conseguir ingressos para show do Radiohead!

Venceslau foi conduzido a subir na arena pelos servos do cacique, que assitia tudo de seu trono especial ornado com crânios enquanto fumava um charuto cubano. Tendo a parte traseira da sua coxa esquerda atingida por um ferro quente em forma de tulipa, o pirata saltou imediatamente para dentro do ringue.

Do outro lado, imponente, trajando vestes indígenas de luta e armado com uma soqueira em cada mão, subiu o Pequeno-Sodomizador.

- Meus queridos, - falou o chefe, silenciando a cambada - hoje assistiremos esta linda competição entre esses dois valentes guerreiros que têm como único e simples objetivo me divertir. De um lado, pesando 0.61 kilogramanewton, o neófito, Homem-andorinha!

Os índios urraram palavrões e difamações. Um deles tirou a piroca pra fora das calças e abanou enquanto outro arremessou uma kunai, atingindo o indígena que vendia ingressos para o show do Radiohead. Centenas de fãs da banda deixaram o local imediatamente em meio a risos.

- Ehr, com licença, mas porque "homem-andorinha"? - Perguntou Venceslau à moça linda que o ajudou e agora massageava seus pés.

- Chefe da tribo gostar de comer andorinha. - respondeu ela, sorrindo.

- Do outro, pesando 42 quilos, nosso herói e filho de mulher bonita da tribo, Pequeno-Sodomizador! - anunciou Konga.

Todos aplaudiram, menos o velho Jaules, o índio que não tinha uma das mãos. Um mensageiro correu até a arena e falou:

- Ser o seguinte: sem golpes baixos, o primeiro que morrer, perder.

Soou o gongo e Pequeno-Sodomizador avançou sobre o pirata dando socos e gritando palavrões. Venceslau, empunhando a imponente Excalibur, começou a recuar e a esquivar dos golpes com calma e destreza, mas no fundo ele estava é se cagando.

O pequeno índio parecia tirar energia do além: a velocidade de seus golpes era quase digna de um cavaleiro de bronze. Após uma sequencia de golpes, sua mão esquerda deu um giro para trás e foi lançada para a frente num soco flamejante que atingiu Venceslau na teta direita, espalhando o chantilly e arrremessando-o para o canto do ringue.

- Ui! Essa ser a que ter estria... - exclamou a bela jovem.

- Luta estar ficando quente e divertida, chefe estar tendo ereção. - narrava o cacique.

Logo o pirata se recuperou e decidiu revidar com um golpe horizontal de espada - que foi facilmente evitado pelo índio. Aproveitando o embalo, Venceslau girou a espada por cima da cabeça e desceu-a com toda a força. O Pequeno-Sodomizador simplesmente saltou para o lado e a espada claramente avacalhou com o ringue, abrindo uma cratera no chão.

- Droga... esse nem é o estilo de arma que eu uso! Se ao menos eu estvesse com a minha mochila... - Venceslau nem teve tempo de terminar o raciocínio: logo o seu adversário chegou e quebrou uma cadeira em suas costas.

Amargurado pela dor e triste por sua mochila estar tão longe, o pirata começou a se arrastar pela arena e logo uma garrafa de coca-cola atirada por alguém da platéia atingiu sua única perna,q u já estava sendo tão maltratada. A torcida gritava em fúria, todos queriam ver sangue e tripas.

Pequeno-Sodomizador avançou novamente com um machado medieval para cima do nosso herói. Descendo a pesada arma numa velocidade incrível, o som do golpe rasgou o ar e as lâminas dos dois artefatos se chocaram: Venceslau virou-se rapidamente e defendeu a investida.

"Pronto, estou fodido". O machado era simplesmente pesado demais e o pirata não estava aguentando sustentar a defesa...

Com um chute certeiro no pescoço, Venceslau conseguiu afastar o pequeno índio sanguinário, cancelando assim seu ataque e arrancando mais palavrões da platéia. Levantando-se, o pirata começou a correr em círculos pela arena, pensando no que fazer.

- Rápido, chuchuzão! Atacar inimigo com esta garrafa de Raiska! - berrou a bela jovem que se debruçava ao lado do ringue e estendia o utensílio vítrio para Venceslau. Rápido como uma bala, o bucaneiro se atirou, agarrando a garrafa, e deu um salto em direção ao seu oponente.

Pequeno-Sodomizador, vendo que o pirata se aproximava com certas intenções homicidas, levantou o machado a fim de se proteger, mas tal movimento foi lento demais: a garrafa chocou-se contra o topo da jaca do desgraçado, partindo-se em mil pedaços e fazendo Galvão Bueno gritar o nome de todos os faraós do antigo Egito.

A torcida ficou irada: o pequeno índio cambaleou até as cordas do ringue e vomitou. O vômito atingiu a campainha, fazendo soar o intervalo.

Venceslau dirigiu-se até o banquinho que ficava no canto direito, sentou-se e refletiu enquanto a bela jovem fazia uma massagem. Olhou para o outro canto, e lá estava Pequeno-Sodomizador, rodeado de fotógrafos e dançarinas de hula.

- Qual seu nome? - Pediu para a bela jovem.

- Nuvem de Fumaça.

A campainha soou novamente e a luta recomeçou: os índios da torcida soltaram foguetes e tocaram as cornetas. As vendas de sorvete aumentaram exponencialmente nesse momento.

Pequeno-Sodomizador sacou a pistola calibre 38 e começou a disparar contra o pirata, que se atirava, dava cambalhotas e cavava trincheiras para se proteger. Quando o índio teve que parar para recarregar, Venceslau rapidamente pensou: "Agora é minha vez".

Saltando da trincheira, correu até o adversário e desferiu contra seu peito uma pesada morcegueira - a voadora com os dois pés juntos. No caso, com um pé só, mas o golpe atingiu em cheio o desgraçado e o matou.

Continua...

2 comentários:

Saaah disse...

^^

Brasileirão disse...
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