8.14.2009

"Avante, homens! Nada pode ser pior do que o que vocês têm comido no café da manhã!"

A Saga de Venceslau, o pirata que não tinha perna

Parte 7

Uma recapitulação dos fatos até o momento:
Venceslau, o glorioso pirata, após perder contato com sua tripulação por causa de um ataque, acabou se juntando aos piratas turcos. Não sendo feliz, desembarcou numa ilha do caralho, onde teve que lutar por sua vida e, agora, neste exato momento, está explorando suas perigosas florestas e montanhas e pântanos e rios de lava.

Pois bem. Uma intensa chuva de meteoros caía, derrubando árvores, causando pânico e fazendo as sirenes de alerta soarem. Venceslau correu procurando abrigo até encontrar o que parecia ser a entrada de uma caverna.

Sem pensar duas vezes, o bravo pirata saltou de cabeça para dentro do buraco. Infelizmente, o fundo da caverna era uma gambiarra de folhas e galhos que claramente despencou ao receber o impacto do corpo de Venceslau. A queda continuou até uma enorme teia de aranha que se desfez ao receber o impacto, deixando assim o corpo do pirata cair novamente naquele buraco sem fim. Por sorte, havia um galho de algum arbusto saindo da parede do buraco, mas Venceslaou o quebrou ao chocar-se contra e continuou caindo. Mais abaixo, felizmente, haviam algumas rochas nas quais Vency agarrou-se, mas elas se soltaram e a queda continuou. Havia ainda, mais ao fundo, uma camada de âmbar seco: Venceslau caiu de costas, parando a queda, mas, infelizmente, as pedras cairam junto e o âmbar partiu-se em milhões de fragmentos - fazendo então a queda continuar. Mais ao fundo havia uma cada de lava endurecida, mas o choque com o corpo do pirata a fez rachar e então ela partiu-se, fazendo a queda continuar. Por sorte, os bombeiros posicionaram-se com uma rede abaixo de Venceslau, mas a aceleração que o pirata adquirira até então fez com que seu corpo rasgasse a rede e o impacto fez cair junto os bombeiros que a estavam a segurando. Por sorte, mais ao fundo, um grupo de escoteiros montou um daqueles castelos infláveis para amaciar a queda, mas todos os elementos caindo fizeram o castelo estourar, levando para o abismo todos os escoteiros e o cão labrador que estava junto com eles.

Enquanto Venceslau cai rumo ao infinito, vamos conhecer a história do

ARISTEU, O CATALOGADOR DE RAÍZES

No longíquo vilarejo de Coçascosta vivia um sujeito que tinha como profissão um dos trabalhos mais ingratos e injustiçados do mundo (mais do que design gráfico): catalogar raízes de árvores e arbustos. Poucos eram os homens que dedicavam a vida a essa peculiar arte, e Aristeu Otite era um desses homens. Vinte e seis anos, casado com uma mulher chamada Cornélia e calçando 43, Aristeu desde criança demonstrava interesse por botânica e passava tardes pesando e medindo gengibre.

Contudo, ele não sabia o cruel destino que a vida lhe reservara. Num belo dia, Aristeu saiu para comprar cenoura e se perdeu. Sim. No caminho da feira, um bloqueio mental o atingiu com tudo, fazendo-o se contorcer e berrar palavrões. Ficou nessa epifania maldita por cerca de sete minutos até cair espumando na beira da calçada. A cesta que ele carregava, que àquelas alturas ja deveria estar cheia de cenouras, rolou até começar a cair do morro e então foi em direção ao bueiro.

Esforçando-se ao máximo, Aristeu conseguiu erguer a cabeça e gritar por socorro. Ele precisava descobrir o que estava acontecendo, não existe no universo uma força invisível capaz de derrubar um homem e fazê-lo perder a orientação. Um mendigo ouviu seu berro e foi socorrê-lo, no entando, ao se aproximar, foi atingido pelo bloqueio mental também e começou a se contorcer.

Que cena grotesca. A multidão se amontoou ao redor para admirar o mendigo e o catalogador de raízes se contorcendo no chão. De repente, uma das pessoas da multidão caiu se contorcendo também e isso gerou o caos: era uma doença. Um epidemia começou a se espalhar no vilarejo de Coçascosta.

A população, em pânico, trancou-se em suas casas, deixando Aristeu, o mendigo e o terceiro elemento, uma garota de dezenove anos, se contorcendo, babando e berrando palavrões no meio da rua.

Cornélia, a esposa de Aristeu, ao saber da notícia, correu até o local onde estava acontecendo o caso (rua do Alaúde) e ficou chocada ao ver a cena. Ela precisava de qualquer maneira salvar seu marido, ou o número de catalogadores de raízes no mundo diminuiria 50% com sua morte.

Correu para casa, encheu um balde com água da torneira da cozinha e o arremessou, encharcando o homem da cabeça aos pés. Sem surtir efeito, Aristeu apenas berrou que a água estava tremendamente gelada, caralho, e continuou contorcendo a coluna como se tentasse encostar os calcanhares na parte traseira das orelhas.

Sem se dar por vencida, Cornélia arrancou um ramo de arruda e começou a chicotear as coxas de Aristeu, com esperança de que isso fosse trazê-lo devolta à razão. Enfurecido, o marido gritou para que parasse, caralho, pois estava doendo e não adiantando porra nenhuma. "Por que você não testa seus métodos no mendigo antes de fazer essas barbaridades comigo, mulher?" conseguiu resmungar entre os grunhidos de dor - e estando ciente que a belíssima jovem que se contorcia com eles não merecia ser curada por esses métodos arcaicos.

Assentindo, a esposa correu até em casa, tirou um martelo de amassar bifes de dentro da gaveta e retornou, descendo o instrumento com todas as forças na cabeça do mendigo. O impacto fez o cidadão estremecer e desmaiar. Por alguns segundos, Cornélia aguardou o recomeço das torções corporais, mas o mendigo não acordava.

- Olha, funcionou! - grunhiu Aristeu. Cornélia já se aproximava com o martelo erguido e Aristeu conseguiu berrar: - Nããão! Espera!

- O que foi? - perguntou ela, abaixando a arma.

Após rosnar mais alguns instantes enquantos seus braços se enrolavam pelo corpo, Aristeu conseguiu falar:

- Bata nela primeiro! - e apontou com a cabeça para a jovem de dezenove anos que já tinha um cotovelo encostado no nariz.

Sem questionar, a fiel esposa correu até a garota e desferiu-lhe uma potente cacetada na testa, abrindo um corte e deixando escorrer um filete de sangue: ela prontamente parou de se mexer e caiu, desacordada, tal e qual o mendigo. Para o pensamento de Cornélia, estava comprovado empiricamente o funcionamento do seu método de cura, mas não para Aristeu, que se contorcia bravamente ao observar, sem conseguir falar, sua mulher se aproximando com o martelo erguido...

Continua.

Sessão Tribulação (ou "Por que eu acho que as vezes minha vida se parece com um joguinho de Super NES")

Pessoas, olha eu aqui postando de novo depois de um freeze de quase quatro meses auhauoahdjfijgidhgjd *desvia de um abacate*

É, as coisas andaram difíceis de um tempo pra cá, estou perdendo cabelo, pares de meias somem de repente, manchas azuis surgiram na minha jaqueta favorita (na região que cobre a bunda ainda por cima) e eu finalmente comprei um chapéu bem malandro quando fui lá pra Recife.

Mas foda-se, meus amigos, por que eu fui pra Erechim de novo algumas vezes e todas as vezes que eu vou lá visitar alguma família sai alguma pérola do tipo:

"Eu e minha mãe voltávamos de carro do supermercado. A conversa girava em torno do futuro profissional do meu irmão e do fato de eu já ter dezoito anos e ainda não ter carteira de motorista.

Mãe:
Sabe, Bolívar, acho que é de família. Você e seu irmão não têm interesse algum em aprender a dirigir e eu muitas vezes me vejo impelida a atirar o carro contra algum poste...

Eu: ... !!!

Mãe: Sim, tu não sente? É tipo uma vontade que vem do nada, arremessar o carro contra o poste, oras, coisa normal, sabe?

Eu: Sim, entendo. Várias vezes já fui acometido pelo mesmo tipo de pensamento, mãe. Atirar o computador pegando fogo pela janela ou derrubar uma geladeira escadaria abaixo apenas pelo prazer de ver a destruição acontecendo.

Mãe: Isso.

Eu: Mas sempre tem um pensamento, um único pensamento, aquela voz que vem de dentre que me faz parar e pensar duas vezes. Eu ouço a voz e perco a vontade.

Mãe: Exato! Eu também ouço...

Eu: ...ela diz o seguinte: "Bolívar, você não tem câmera. De quê adianta fazer isso se não for pra filmar e refgistrar como momento épico? Para que serve uma geladeira caindo da escada se ela não for parar no Youtube?"

Mãe: Sim, pra mim ela diz "não faça isso, vai ser um saco limpar depois". Eu sempre me lembro da sujeira que um carro batendo num poste faria e a idéia de ter que limpar tudo depois não me agrada.

Chegando em casa, ao abrir o portão da garagem, a cena é a seguinte: meu irmão, junto com dois amigos e protegido por grossas luvas, apertava com uma chave inglesa o bocal de um botijão de gás que estava ligado por um cano à uma caixa de som em alto volume. No cano, furos em cima tinham um fogo alto aceso que dançava conforme o som da música - era o famoso Tubo de Rubens que estava sendo testado ali, na garagem, naquele exato momento".

Tirando esses fatos curiosos que acomentem minha vida com espantosa frequência, posso dizer também que estou um tanto puto com a organização de um certo evento que não aprovou a proposta de oficina que eu enviei. Tá certo que é uma oficina bem bizarra cujo título é "Realismo Fantástico: Mistérios, Conspirações e Paranóia" e a proposta em si é um tanto peculiar, mas poxa, Realismo Fantástico é tão foda! Um dia dedicarei um post todo nesse blog pra falar sobre ele, com imagens e tudo.

Por enquanto, sigo construindo a proposta e aperfeiçoando-a. Vai que um dia dá certo? Vivemos num tempo onde ninguém tem certeza absoluta naquilo que acredita e eu adoraria sugerir, com um sorriso exibindo os caninos, que o Realismo Fantástico pode ser a melhor forma de encarar os fatos, meus jovens *coça a barba*.

Por fim, gostaria apenas de agradecer aos bravos leitores que permanecem até aqui encarando com firmeza (ou não) as baboseiras que eu escrevo diretamente do inferno com apenas um objetivo: a matança.

3 comentários:

Antonio Edison, o deslogado disse...

SEU SUMIDO!










abs

Cupcake disse...

Novas estórias.

júlia disse...

....porque tá escrito 'faça um comentário
aaagagaga'?
...bom, enfim.

SDKJGSKDLJGLS massa sua mãe :D

aaah eu entendo seu sentimento quanto terem recusado sua proposta. na quarta série tínhamos que formar grupinhos e dar nomes à eles, meus colegas queriam coisas tipo 'amigos da paz' e minha proposta era 'olhos esbugalhados', cheguei em casa muito frustrada porque ninguém a aceitou..