8.31.2009

"Mais quantos capítulos o meu olho de vidro terá que ler dessa coisa?"

A Saga de Venceslau, o pirata qe não tinha perna

Parte 8

Num esforço sobre-humano, Aristeu rolou para o lado escapando da primeira martelada, que deixou um pequeno buraco ao chocar-se contra opavimento da rua.

Rastejando como se fosse uma lagarta mede-palmos, o catalogador de raízes se afastou da frenética mulher e dirigiu-se para o bueiro mais próximo. A cada metro que andava, gemia como se lhe estivesse puxando todos os fios de cabelo e pêlos do saco. Estava cada vez mais próximoda entrada do esgoto quando Cornélia saltou alguns metros e desferiu um golpe giratório com o martelo, afundando-o na quinta vértebra de sua coluna.

Aristeu, contudo, ignorou a dor lacinante e se atirou para dentro da entrada do Bueiro.

- VOLTE, MEU AMOR! VENHA AQUI NO MARTELINHOD A SUA MULHER, VENHA, MEU QUERIDO! - berrava Cornélia, ensandecida. Com medo, Aristeu (ainda rastejando como uma taturana), encolheu-se noc anto mais escuro e nojento do bueiro e ficou esperando a monstra se afastar. O bloqueio mental permanecia e ele sentia seus calcanhares girando.

Após alguns segundos, a dor nas costas começou e ele percebeu que não conseguia mais se levantar. Olhou para a fenda do bueiro e viu que sua mulher ainda esperava. Tomado pelo terror, entrou em um dos canos de esgoto a fim de se proteger melhor. Foi então que Cornélia, urrando palavrões insanos, começou a bater com o martelo na pate superior da fenda do bueiro, para que assim aumentasse sua entrada e ela conseguisse penetrar.

"Caralho voador", pensou Aristeu enquanto adentrava mais e mais no cano de esgoto. Ele precisava armar um plano ou sua mulher o perseguiria até os confis da terra - ou dos confis do subterrâneo. Olhando ao redor da entrada do cano, encontrou um monte de dedritos. Utilizando suas mãos, que agora estavam praticamente coladas ao peito, Aristeu começou a cavar o que ele mais tard descobriu se tratar de bosta. Cavando os cocozudos, logo o catalogador de raízes conseguiu fazer um monte de esterco suficiente para tapar a entrada do cano no qual se encontrava.

- NÃÃÃÃO MEU HOMEEEEM! VOLTE AQUIIIIII!! - Esbravejou Cornélia, ao perdê-lo de vista por causa do montinho de bosta.

- Vai dormir, mulher!! - gritava Aristeu lá de dentro. - Volta pra casa e dorme que eu vou icar aqui pra me curar sozinho!

- Você não vai conseguir, Aristeu! Você nunca vai conseguir! Só eu tenho a cura, só eu posso te salvar, broto! Você nunca será capaz de se curar sozinho, eu posso garantir que não!!

- Vou sim, te fode meu amor!

- Eu voltarei, Aristeu, e com um martelo maior! Voltarei pra te puxar de volta dos tentáculos da agonia que o tragam, por que você é meu homem e é meu dever como boa esposa te protejer do mal! Voltarei com um martelo maior e com muito mais maldade no coração!

- Vai lá buscar a porra do martelo e me deixa em paz então!

Dito isso, Aristeu deixou a mulher falando sozinha, deu meia-volta e rastejou para mais além dentro do cano, ainda imitando uma lagarta mede-palmos. A dor das torções corporais, aliada ao ferimento na coluna, eram terríveis e o faziam lacrimejar, mas nada podia ser pior que o martelo da sua mulher.

Rastejou. Rastejou até perder a noção se era dia ou noite. Seu corpo começou a se adaptar: seus olhos só viam a escuridão, suas pernas já não tinham mais utilidade dentro das câmaras baixas e dos encanamentos apertados. Seu nariz só farejava terra, cocozudos e mijo de rato. Seus braços serviam apenas como ferramenta para escavar, já que sua locomoção se dava encolhendo e estendendo novamente todo o corpo.

Aristeu se transformava, aos poucos, num troço bizarro. Seu corpo ia assumindo formas mutagênicas, seu cérebro foi aos poucos esquecendo as palavras e as regras de etiqueta ocidentais. Já não lembrava mais a tabuada toda. Seus bigodes cresceram como os de uma ratazana, pois assim lhe eram úteis dentro dos túneis.

Logo, Aristeu percebeu que não precisava mais seguir à esmo o rumo que os infinitos canos e galreias subterrâneas o levavam - ele começou a escavar. Criava seus próprios túneis, descobria os próprios caminhos. Criou um universo para si dentro dos esgotos da cidade de Coçascosta.

Sua roupa, já tão rasgada e suja, escapou pelos pés, já que seu corpo adquirira o formato do de uma lagarta, com braços colados ao peito e pernas coladas uma a outra. Agora Aristeu escavava túneis e se aventurava pelas entranhas da terra completamente nu, peladão. Mas isso não significava mais nada, seu cérebro já não processava mais a informação da necessidade da roupa.

Aos poucos, a cor da pele de Aristeu foi mudando. Era agora um cinza-esverdeado, uma cor de bosta seca. Ele já não emitia os mesmos sons de antes. No lugar dos gemidos de dor, estavam grunhidos de um monstro mutante infernal. Os grunhidos de pânico oriundo do isolamento, da falta de amigos. Aristeu nunca achou nenhum semelhante.

Seus hábitos alimentares mudaram, seu metabolismo mudou. Os pêlos do seu corpo cairam todos, ficou careca. Seus dentes ficaram pontudos e cresceram, por que Aristeu criou a auto-necessidade de se alimentar de qualquer coisa que se mexia. Passou a comer cocô.

Seu pênis atrofiou no que parecia agora um orifício de mijar, por que o cérebro de Aristeu esqueceu da necessidade reprodutiva inerente ao ser humano. Seu cérebro só pensava em cavar, cavar, cavar e comer bosta. Seus dedos do pé foram caindo, um a um, e os da mão, ao contrário, cresciam e suas unhas ficavam enormes e grossas. Elas podiam atravessar concreto, aço, madeira, poliestireno.

Já não se viam mais duas pernas, mas apenas uma massa que terminava em cotocos de onde antes eram dois pés de um homem trabalhador. Nas suas costas, criaram-se pêlos grossos e cheiso de resíduos de merda, que atuavam como proteção e para aquecimento. Aristeu fedia a cheirume e jamais voltaria a se relacionar com a civilização. Mas seu nariz se adaptou, ele não conseguia mais sentir o próprio cheiro, já tão normal. Ele conseguia, no entanto, farejar qualquer coisa num raio de dezesseis quilômetros.

E assim surgiu Aristeu, o filho do capeta. O que outrora era um nobre catalogador de raízes havia se transformado nessa aberração, nessa pouca-vergonha. Aristeu , o filho do capeta, um ser irracional que morava no subterrânio de Coçascosta e habitava o imaginário coletivo, fazia as crianças chorarem de noite, comia cocô e cagava mais cocô. Um ser esquecido por Deus, um filho da puta, um mutante desgraçado, um comunista.

Um dia, Aristeu escavou até chegar a uma câmara subterrânea muito escura...

No próximo post, confira o final da Saga de Venceslau, o Pirata que não tinha Perna.

Quatro etapas para um apocalípse saudável (ou "Sessão Tribulação" ou ainda "Capitalismo: o gosto da vitória sobre" se preferirem)

1)

Miquéias é o cara que divide quarto comigo aqui na Casa do Estudante. Ele é um lesk parceiro que fecha junto, faz design também e não gosta de maçã. No episódio dramatizado a seguir, ele chega após um dia de trabalho, as 7:30 em casa:

Eu: Ae!
Miquéias: Opa!
Eu: Cara, escolhe: primeiro a notícia boa ou a notícia ruim?
Miquéias: Hm. A ruim.
Eu: Apareceu uma lagartixa aqui em casa. Eu arredei o sofá, a geladeira e o fogão tentando capturar ela, mas ela foi realmente rápida e se escondeu. Meu palpite é de que está vivendo agora dentro do motor da geladeira.
Miquéias: Eita! Não tem mais como pegar ela?
Eu: Nein, ela realmente sumiu.
Miquéias: Tá. E a notícia boa?
Eu: Já dei um nome pra ela: Aristóteles. Ela é agora nosso mascote oficial.

2)

Meu amigo, Phillip Willian Quitschal, mora em Guarulhos e teve o sonho mais legal que alguém na face da Terra já teve comigo. Foi mais ou menos assim:

Em 2010, a Terra foi varrida por uma tempestade de areia enorme. As cidades foram reduzidas a ruinas, tudo virou deserto. Esse meu amigo, Phillip, vagava sozinho após sobreviver à essa calamidade. Caminhou dias em meio às dunas até cair desmaiado. Acordou na casa de uma amiga sua, que discutia ferozmente com outro cara.

Nisso eu entro na casa. (Não tava no sonho, mas uma entrada muito discreta não deve ter sido) Após entrar, eu olho pra esse meu amigo, aponto para cima e exclamo:

"Ontem eu estava com azar, mas hoje estou com a camiseta vermelha! Você seria capaz de criar asas para sobreviver a esse deserto chinês comigo?"

Não sei que diabos isso significa, literalmente, mas eu gostei demais da frase. Estava precisando de um lema mesmo.

3)

Oi pessoas! Preciso comentar com vocês minha última e mais jóia aquisição: uma cadeira de escritório. Até então eu estava usando uma dessas cadeiras random de cozinha - e isso estava contribuindo para deixar minha coluna pior do que já é.

Eu: Alô, mãe?
Mãe: Bom dia, bom dia, bom dia!
Eu: Mãe, se eu gastasse cento e trinta reais numa cadeira de escritório, tu ficarai muito braba?
Mãe: Não, filho. Se tá precisando mesmo, vai lá e compra.
Eu: Tá certo então.

Não dou cento e trinta reais numa cadeira dessas nem a pau. Comecei minha estratégia de compra indo até as famigeradas lojas Colombo para pesquisar preço:

Atendente: Oi, bem vindo!
Eu: Olá, jovem! Eu gostaria de uma dessas cadeiras de escriórium.
Atendente: Ah. É pra jogar CS (vulgo Counter Strike) né seu safado!
Eu: Lol, não. Eu faço design, tenho que ficar muito tempo na frente dessa máquina infernal que é o computador e a cadeira que eu tenho me deixa triste se eu fico muito tempo sentado.
Atendente: Ah bom. Por que eu jogo CS, cara. Eu tenho um clã. Eu e mais doze caras, a gente joga e já ganhamos até um campeonato.
Eu: ... (em pensamento: "Informativo")
Atendente: Então siga-me até aqui no computador, vamos ver se temos cadeiras.
Eu: Beleza.
Atendente: Ó, uma dessas tá por 139 reais. Mais 20 de frete.
Eu: Caralho, que caro. Tem alguma opção mais barata?
Atendente: Bah, cara. Mais barato só se tu for na vendinha de móveis usados ali embaixo.

Saindo da loja, dirigi-me até a tal vendinha. Lá tinha uma cadeira igual por 80 reais - que consegui pechinchar por 70 alegando que teria que carregá-la até em casa. E enquanto a carregava, me senti triunfante e foda, por que paguei a metade do preço. Chupa, capitalismo.

Obs: diálogos transcritos literalmente sem alterações ou censura.

4)

Na minha próxima postagem, eu preparei uma surpresa pro final da tão comentada saga do pirata Venceslau que não tinha Perna. Sabem, postar no blog é algo que me deixa feliz, mas eu sempre acabo deixando pra segundo plano. Isso retarda o processo, isso vai contra o protocolo da vida.

Comprei uma agendinha, um bloquinho de anotações. Incrível como eu nao vivo mais sem isso. Logo na primeira página eu já escrevi "Posta algo lá no blog, caralho!" pra ver se eu não esqueço de fazer isso pelo menos a cada duas semanas. E acreditem, quanto mais eu posto aqui, mais eu me sinto capaz de enrolar em textos e relatórios pra faculdade. Parece uma habilidade adquirida inconscientemente.

Enfim, termino mais uma postagem com um apelo: comentem, meus jovens! Centenas de fãs vem até mim todos os dias pra falar como o blog está jovem e divertido - mas ninguem se digna a comentar. Triste, não?

Mas eu, como bom aprendiz das artes secretas do marketing, desenvolvi uma estratégia pra fazer vocês comentarem. É o seguinte: estou criando um personagem. É pra uma história bem bizarra que se passa a 150 mil anos atrás, numa civilização rica e avançada que foi destruída, aqui no nosso planeta. Esse personagem é uma espécie de revolucionário. É o "carinha fodão da história". Ele precisa de um nome,e é aí que vocês, amados leitores, entram: comentem ali dando uma sugestão de nome.

Restrições: precisa começar com "Q", mas sem ter o "u" em seguida, sacam? Algo como Qaechua, Qawahir, Qollstasis, algo assim. Sejam criativos =D

É isso, valeu pra quem acredita!



14 comentários:

Phillip Willian Quitschal disse...

Só pq ia falar meu nome u.u

/Sou foda e fui citado nas letras azuis!

Qachuma, Qasharan, Qatmamba, Qesmahd

Phillip Willian Quitschal disse...

1º EU não sei toda a Tabuada! Estou virando um amigo de Aristeu?

2º QUe bicho estranho ele virou! Muito estranho!

3º Se eu tivesse um aquario grande eu colocaria Aristeu no meu aquario!

Antonio o Edison Pure Evil disse...

Quetsoaqoalt

Eu não entendo essa obcessão que blogueiros tem por comentários, embora eu sofra de doravante obcessão às vezes. Enfim, eu nem tenho mais um blog. Mais sou solidário com os blogs alheios entupindo-os de comentários. Vou ver se in visto na carreira de animador de páginas de comentários. Não. Enfim

Qingostarr seria 1boua tb

Pure Evil Edison, o Antonio disse...

E com certeza escrevi obsseção errado ali em cima

Cupcake disse...

Eu gosto de batata frita, principalmente quando dá pra por um qlibstrain em cima. :B

Juciellen disse...

qwert é um bom nome...ah, pera! nao é criativo =/


confesso que to esperando a saga do venceslau acabar pra ler toda, pq qdo eu comecei a ler ja tava na parte 3, entao...^^'

Daniela disse...

Que bonito tu dividir com teus sagazes leitores esse problema do nome do pirata. Caso eu dê uma sugestão decente, espero levar os créditos, já que o da lagartixa não levei, humpf.
Bjo

Ella disse...

Que tal Qwerty ?
No mínimo é uma boa píada.

=] bjo Bolí.

Ella disse...

saco, ja tiveram minha idéia.
=/ esquece.

Renato Escobar de disse...

Pô... fazia tempo que eu não acessava teu blog... massa! Tô ficando curioso com a saga do Aristeu...
Quanto ao personagem "protoplasmático" (viveu a + de 130mil anos,né) ,que tal "Gamarian"... É,não tem "q"nem "u",... mas é uma sugestão... valew!!!

Ludy Gaudeda disse...

bolivarbollll

Mila Cavali disse...

Olha! Outro blog!

qarlian!

Karina Batuira disse...

Poxa todo dia entro aqui pra ver se há algo de novo na saga de aristeu. Fiquei viciada nesse textoo. tanto que toda vez q entro leio tudo denovo.. (faltadoquefazer =))
bjos

jubs disse...

achei que fosse a única pessoa no mundo no século 21 que anda com um caderninho por aí :'D mas o meu é mesmo um diário, não, não começo todos os 'posts' falando 'querido diário', escrevo coisas pessoais e hoje fiquei escrevendo enquanto esperava a van sobre como 5 reais podem te trazer felicidade pois com isso tu pode comprar um muffim e bota-lo no microondas para derreter as gotas de chocolate e uma latinha de coca estupidamente gelada... enfim

não consigo pensar em nenhum nome com Q sem u que não seja tipo qdfhkujgksd aka risada psicopata de msn. mas eu gosto dos livrinhos Desventuras em Série e sei que nele tem alguém que se chama Quagmire ID ou algo assim. gosto desse nome. Quagmire.