9.17.2009

"Rápido, tripulação! O navio dos australianos se aproxima! Carreguem os canhões com esterco!"

A Saga de Venceslau, o pirata que não tinha perna

Parte final

Atenção atenção, jovens! A saga de venceslau evoluiu de tal forma que existem três finais alternativos para ela. Você, sagaz leitor, escolherá o que mais te faz feliz. Leia abaixo e dê sua opinião! (ou uma das duas coisas)

Final 1 (ou o Óbvio Ululante):

Um dia, Aristeu escavou até chegar a uma câmara subterrânea muito escura. Era o que parecia ser um enorme anfiteatro, uma enorme abóbada de terra erguia-se acima dele e apenas graças a sua visão acurada ele conseguia ter uma noção de quão grande era aquela redoma.

Caminhando pela recém descoberta câmara, Aristeu parou ao ouvir um estalido. Olhou para trás, ou melhor, esticou o pescoço agora enorme para trás e viu pedrinhas se desprendendo do teto. Ficou imóvel até que a terra começo a tremer e eis que, após um estrondo, o teto se racha, revelando novamente - e após tanto tempo - a luz solar. O momento seria lindo se, junto com a luz solar, outra coisa não tivesse entrado junto na caverna: a mulher de Aristeu, Cornélia!

O ex-catalogador de raízes tentou falar, mas seu cérebro já não processava mais esse tipo de informação e ele permaneceu imóvel assistindo sua mulher cair do teto armada com uma marreta do caralho.

- Meu amor! Enfim encontrei você! - exclamou ela, aparentemente feliz e sems e importar muito com o novo look do seu marido.

Aristeu simplesmente rastejou até um canto da câmara e se encolheu. Apesar de ter virado aquela bizarrice, ele ainda era capaz de setir medo. E, no caso, muito medo. A marreta vinha arrastando a pesada cabeça pelo chão enquanto sua mulher caminhava em sua direção.

- Foi difícil - ia dizendo ela, docilmente - te encontrar aqui, Aristeu! Eu esavei túneis e mais túneis, passei por vários países, comprei muitas picaretas, investi uma grana preta só pra poder te achar e te levar pra casa!

Ela foi chegando mais perto. Aristeu não pensava mais apenas em comer merda: ele tambem tentava bolar um plano para tentar fugir dali com todas as forças. Quando Cornélia chegou perto o suficiente, o coitado conseguiu ver que seus olhos giravam nas órbitas e que ela estava visivelmente insana. Assim que Cornéliu viu a face aterrorizada de seu marido, soltou uma gargalhada terrível e ergueu a marreta por cima da cabeça, preparando o golpe.

Mais do que rapidamente, Aristeu virou de costas e começou a cavar. Cavava mais rápido do que jamais havia cavado na vida, cavava por que se não cavasse o suficiente ele teria uma marreta afundada na sua nuca (se é que havia alguma distinção entre sua nuca e o pescoço).

- VOU CURAR VOCÊ MEU CHUCHUZÃÃÃÃO!! - berrou Cornélia. Contudo, antes de conseguir descer o pesado objeto na cabeça - ou pescoço, ou costas, não sei - do seu marido, eis que, como se os céus conspirasse para esse momento, como se aquela fração de segundo estivesse escrita no calendário Maia, a parede da câmara a frente de Cornélia explode, abrindo um rombo enorme e fazendo um potente jato d'água atingir Cornélia com tudo nas teta.

Juntamente com o jato d'água, surge, gritando de pavor, um pirata com uma perna de pau: Venceslau!!

Seguindo ele e também impulsionados pelo jato, vinham também pedras, galhos de árvores, animais da floresta, âmbar seco, uma equipe de bombeiros, uma turma de escoteiros com seu cão labrador, uma equipe de resgate londrina, os Power Rangers vermelho, amarelo e o Centurião Azul, a Liga da Justiça, a Tia do Bátima, alguns ninjas treinados, os piratas turcos da primeira parte da história, o cacique da tribo, a jovem Nuvem de Fumaça, um exemplar da revista "Jardinagem e Arranjos Florais", a jangada da primeira temporada de Lost e uma miniatura da estátua da liberdade que anda, fala francês antigo (sem sotaque) e brilha no escuro (40% acetato e 60% poliestireno).

Todos esses elementos chocaram-se contra a insana esposa de Aristeu, que foi arremessada para o outro lado da câmara. Após a confusão, o silêncio se instaurou novamente no local e Ariste parou de cavar. Ficou olhando fixamente para a cena: em meio aos escombros, Venceslau levantava-se, xingando.

- Mas que diabos - resmungava ele. Fui claramente avacalhado! Passei as últimas duas semanas caindo por esse buraco, estou morto de fome. Vou fuçar na mochila dos escoteiros pra ver se tem biscoitos e... - parou instantaneamente de falar ao se deparar com Aristeu. "Uma coxinha", pensou. Era o que lhe parecia aquele ser grotesco que permanecia, a sua frente, observando-o com seus miúdos olhinhos que saltavam da sua cabeça - que assemelhava-se enormemente com o joelho do Jô Soares.

- Santo Deus, mas o que na face da Terra é você? Uma jojoca?

E então, o milagre acontece: ao ouvir a palavra "jojoca", Aristeu começa a se contorcer. Seu corpo vai aos poucos retomando a cor, seus braços voltam ao normal, suas pernas se separam, seu cabelo cresce novamente. Pronto: estava deitado ali, peladão, o catalogador de raízes, Aristeu. O desgraçado não conseguia abrir os olhos, seu corpo fedia, seu sistema digestório - agora normal, havia comido apenas cocô nos ultimos tempos e isso com certeza não devia ter lhe feito bem.

- Onde estou? - perguntou ele, ainda tentando fazer esforço para levantar.

- E... em algum l... lugar embaixo da Terra - respondeu Aristeu, estupefato. Para ele, era cada vez mais certo de que havia caído em algum mundo paralelo ao seu. Tudo que ele queria era voltar para a floresta. Queria estar de novo lá exporando a ilha: queria ser foda explorando a ilha.

- Eu quero ir pra casa... - sussurrou Aristeu, e começou a chorar. Venceslau mal teve tempo de sentir pena daquele home pelado a sua frente chorando - e logo todo mundo atrás dele se levantou e começou a chorar (menos a miniatura da estátua da liberdade). Todo mundo queria voltar para casa.

Uma caravana se organizou e aos poucos aquelas pessoas começaram a sair pelo buraco que Cornélia havia feito. Os bombeiros, o cão labrador, os escoteiros - um deles carregando o exemplar da revista: todos estavam indo embora. Antes de ir junto, Venceslau levantou o desgraçado do chão e o ajudou a caminhar também em direção ao buraco.

Tudo parecia resolvido quando Cornélia levantou-se e bloqueou a passagem dos dois. Enfurecida, coberta de sangue, descabelada: a mulher estava motivad a matar os dois, com uma única marretada.

- Afaste-se, meu amigo! - Exclamou Venceslau, empurrando Aristeu para trás. Era hora da batalha final, era hora de lutar por aquilo que acreditava. Arregaçando as mangas, o bravo pirata saltou e agarrou o pescoço da mulher, que gritou blasfêmias enquanto perdia o equilíbrio e caía. Chutando Venceslau no saco, Cornélia conseguiu se desvencilhar. Ergueu a marreta do chão e preparou um golpe mortal, girando-a por cima da cabeça. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Venceslau conseguiu se erguer e jogou-se contra a cintura da mulher, atingindo-a em cheio e arremessando a marreta para o lado.

Desarmada, Cornélia deu uma cotovelada no nariz do pirata e tentou a todo custo engatinahr até sua marreta. Por sorte, Aristeu chegou à ferramenta antes - mas esqueceu-se de como usá-la e limitou-se a roer o seu cabo. Cornélia o empurrou, pegou o pesado objeto e girou-o para trás, tentando acertar Vency. Contudo, o pirata abaixou-se, fazendo com que o golpe passasse por cima da sua cabeça, e aproveitou a guarda aberta de sua adversária para soltar um hadouken e acabar de vez com a luta.

- Sou bom! - exclamou ele enquanto pegava Aristeu no colo e saía daquela caverna maldita.

E assim termina a saga de Venceslau, o pirata que não tinha Perna!

***

Final 2 (Ou O Apelo Ao Fantástico)

Aristeu excavou até chegar em uma escura sala. Continuou rastejando por essa sala até chegar na parede oposta - pois só o que queria era continuar cavando.

Apoiando suas mãos - ou garras - na parede, recomeçou a cavar. Abriu um pequeno túnel, e cavou. Cavou por um bom tempo até que abriu o que parecia serum buraco na superfície.

O ex-catalogador de raízes espichou a cabeça para fora do buraco e se deparou com o seguinte cenário: o planeta, dominado por máquinas, tinha sua superfície coberta por instalações cibernéticas. Não havia nenhum sinal de seres humanos, apenas máquina, robôs e computadores encobertos por um céu escuro e trovejante.

Aristeu ficou algumas horas parado, alí, olhando para aquilo tudo. Setecentos e vinte e dois anos haviam se passado desde que ele se tornara aquela coisa bizarra. O mundo havia passado pela terceira guerra mundial e as máquinas agora dominavam o planeta Terra - Aristeu era, portanto, o último ser humano sobrevivente.

Convencido de que não iria encontrar nada de útil ali (ou seja, nao iria encontrar fezes humanas ali), Aristeu retornou pra dentro do buraco e excavou mais.

O tempo se passou, Aristeu continuou excavando. Ele não sabe, mas dentro de alguns meses ele encontrará uma colônia de humanos-mutantes que vivem embaixo da terra e será reconhecido como um deus. Antes disso, contudo, ele encontrará algumas coisas menos importantes como o fóssil de um pirata sem uma perna, juntamente com as ossadas de bombeiros, escoteiros, animais da floresta, a jangada da primeira temporada de Lost e uma miniatura da estátua da liberdade que anda e fala francês antigo - sem sotaque.

***

Final 3 (Ou O Final que o Bolívar Acharia mais Massa)

Aristeu - que agora mudou seu nome para Charlinho, excavou até chegar em uma câmara escura. Estava escura, escura mesmo, escura pra caralho. Ele engatinhou pelos arredores até que, antes que encontrasse qualquer coisa, as luzes se acenderam e começou a tocar essa música:

http://www.youtube.com/watch?v=woxcxp-OO4w

Aristeu se assustou, tentou correr, mas quando percebeu, já estava cercado pelo auditório,q ue batia palmas no ritmo da música.

Silvio Santos: Mah oe! Vem pra cá vem pra cá OE!

Aristeu: ????

Silvio Santos: Mas o que temos aqui, Lombardi? O que raios é isso, oeoeoeoe hehehihi?

Lombardi: É um ser humano em forma de piroca, Silvio!

Silvio Santos: Meu Deus, eu não sou pago para isso, tchau!

E eis que um helicóptero surge e Silvio Santos vai embora pendurado na escadinha que caiu dele - não sem antes tirar a a camisa e mostrar uma tatuagem com as palavras "Foda-se a Globo" tatuada na barriga.

***

Jovens, eu realmente ganhei uma miniatura da Estátua da Liberdade! Ela não anda e nem fala francês, mas parece que eu tenho amigos que se preocupam com meu estado mental!

Enfim, eu não vou postar muita coisa sobre a minha vida hoje, a não ser um diálogo que eu tive esses dias, de manhã, saindo da Casa do Estudante. Por incrível que pareça, havia um cano desses de PVC cruzando a calçada e - LOL - tinha espuma sainda por um buraco nele. Bastante espuma. Por sorte, Daniclei, o meu vizinho de quarto, estava sentado ali perto, fumando:

Eu: Daniclei, que diabo é isso? - berrei, apontando para a espuma.

Daniclei: É Raiva Predial! Acontece nas construções antigas e que estão caindo aos pedaços. É um dos sintomas do Alzheimer Arquitetônico!

Eu: A.




4 comentários:

Phillip Willian Quitschal disse...

Gostei mais do final 1 e 2

Por que eu sempre perco as melhores coisas? Queria ter vido o predio com raiva!


Por que no final 2 ele não encontra os fosseis dos Power Rangers?

Antonio Edison disse...

Nao gostei da sua piscina de carpas, achei que desse pra lotar aquilo de pão velho ou seja lá o que for aquele trumbisco amarelo lá

Mila Cavali disse...

Bolivar escobar definitivamente não tem nenhum respeito aos amigos. Com toda certeza quer matá-los de tanto rir.
De qualquer forma o final 3 me parece mais interessante.

Daniela disse...

Me assustei quando começou a tocar a música. Fiquei horas tentando descobrir de onde ela vinha. o.O
Estou com preguiça de escolher um final, já acho o fato de ter TRÊS finais disponíveis bem interessante.
Bjo